QUEM SE LEMBRA DE BRINCAR Á LUTA DE GALOS

QUEM SE LEMBRA DE BRINCAR Á LUTA DE GALOS

🤼 Cavalo-chapa — quando a brincadeira era também uma prova de equilíbrio e coragem

A fotografia mostra um grupo de rapazes entregue a uma das brincadeiras mais físicas e animadas de outras gerações: o chamado cavalo-chapa, também conhecido em várias terras como galo-com-galo, luta de galos ou por outros nomes locais. A regra era simples: um rapaz servia de “cavalo”, levando outro aos ombros, enquanto as duplas tentavam manter o equilíbrio e, em algumas variantes, fazer cair a equipa adversária.

Era uma brincadeira que exigia força, coordenação e confiança entre os dois elementos da equipa. Quem ia em baixo tinha de aguentar o peso e manter-se firme. Quem ia em cima precisava de equilibrar-se bem e, ao mesmo tempo, resistir aos empurrões dos outros. Bastava um passo em falso para todos acabarem no chão.

Não eram precisos brinquedos nem material especial. Um terreiro, um recreio ou um pedaço de campo bastavam. As equipas formavam-se rapidamente e começava logo a disputa. Uns eram escolhidos por serem mais fortes, outros por serem mais leves e ágeis. E havia sempre aquele rapaz que queria entrar no jogo mesmo sendo pequeno demais para aguentar o companheiro.

As regras variavam de terra para terra. Em alguns lugares, o objetivo era apenas atravessar uma determinada zona sem cair. Noutros, as duplas aproximavam-se e tentavam desequilibrar-se com os braços, como numa verdadeira “luta de galos”. O que quase nunca faltava eram os gritos, as gargalhadas e a discussão sobre quem tinha caído primeiro.

Claro que havia quedas.

E muitas.

Os joelhos ficavam marcados, a roupa cheia de pó e, às vezes, alguém saía do jogo durante uns minutos a queixar-se de uma pancada. Mas pouco depois já estava novamente no meio do grupo.

Hoje, olhando para uma imagem destas, talvez a brincadeira pareça arriscada. E era. Mas também revela uma infância muito vivida no exterior, em que as crianças inventavam jogos com o próprio corpo, testavam equilíbrio, força e agilidade e aprendiam, muitas vezes à custa de algumas quedas, onde estavam os seus limites.

Mais do que um simples jogo, o cavalo-chapa era também uma brincadeira de grupo. Era preciso escolher parceiro, confiar nele e saber coordenar os movimentos.

E talvez por isso tenha ficado na memória de tanta gente.

Porque naquele tempo bastavam quatro rapazes, um pedaço de chão e vontade de brincar para começar uma verdadeira “batalha”.