QUEM SE LEMBRA DO JOGO DO LENÇO?
A imagem retrata uma brincadeira que marcou gerações de crianças: o tradicional jogo do lenço, muito comum em recreios, ruas, largos e encontros de jovens em Portugal. Não eram necessários brinquedos caros nem qualquer equipamento especial. Bastavam dois grupos de crianças, algum espaço para correr e um simples lenço segurado no centro do terreno.
Os participantes dividiam-se em duas equipas, colocadas frente a frente a alguma distância. A cada jogador era atribuído um número, normalmente sem que a equipa adversária soubesse quem correspondia a qual. No centro ficava uma pessoa com o braço estendido e o lenço na mão. Era ela quem comandava o momento mais esperado da brincadeira.
De repente ouvia-se:
— Número três!
E dois jogadores disparavam ao mesmo tempo.
Um de cada equipa.
A corrida até ao centro era rápida, mas ninguém queria avançar demasiado cedo. Quando chegavam junto do lenço começava muitas vezes um pequeno duelo de nervos. Um fingia que ia agarrar, o outro recuava, ambos esperavam pelo erro do adversário.
Quem conseguisse apanhar o lenço tinha imediatamente outro problema: voltar para a sua linha sem ser tocado.
Se chegasse à zona de segurança, ganhava o ponto.
Mas se o adversário o alcançasse antes, a vantagem mudava de lado.
Era precisamente isso que tornava o jogo tão emocionante. Não bastava correr depressa. Era preciso ter reflexos, perceber o adversário e escolher o momento certo para atacar.
Havia corridas espetaculares, escorregadelas, fintas e muita gritaria das equipas:
— Vai!
— Corre!
— Apanha-o!
E quando alguém escapava por centímetros, começava logo a discussão sobre quem tinha tocado primeiro.
Brincadeiras como esta tinham também uma característica importante: juntavam muitas crianças ao mesmo tempo. Enquanto dois corriam, todos os outros participavam, torciam e esperavam pelo próximo número.
Hoje o jogo do lenço continua a ser praticado em escolas, atividades desportivas e encontros tradicionais. E percebe-se facilmente porquê: promove velocidade, coordenação, atenção e espírito de equipa sem precisar praticamente de material.
Mas para quem cresceu a jogá-lo na rua ou no recreio, a memória é ainda mais simples.
É lembrar o silêncio antes de ouvirmos o nosso número…
e depois correr como se aquela pequena tira de pano fosse o prémio mais importante do mundo.
Porque naquele tempo, um lenço no meio do terreiro chegava para criar uma competição inteira.
