As “Oreo” do nosso tempo eram duas bolachas Maria com margarina no meio

As “Oreo” do nosso tempo eram duas bolachas Maria com margarina no meio

🍪 As “Oreo” do nosso tempo eram duas bolachas Maria com margarina no meio

Quem olha para esta imagem talvez pense que é apenas uma brincadeira.
Mas, para muitos de nós, isto era um verdadeiro lanche de luxo.

No meu tempo, não havia armários cheios de chocolates, bolachas recheadas e pacotes coloridos. Quando a fome apertava, a minha mãe pegava em duas bolachas Maria, barrava uma delas com margarina e fechava com a outra.

E pronto.
Estava feita a nossa “bolacha recheada”.
Nós não lhe chamávamos Oreo, claro. Nem sabíamos que isso existia. Mas o princípio era o mesmo: duas bolachas, um recheio no meio e uma criança convencida de que estava a comer a melhor coisa do mundo.

🕰️ Um lanche simples que sabia a festa

Lembro-me de chegar da escola, atirar a pasta para cima de uma cadeira e perguntar logo:
— “Ó mãe, há qualquer coisa para comer?”

Ela abria a lata das bolachas, tirava duas ou quatro Marias e barrava-as com margarina. Às vezes colocava açúcar por cima. Noutras ocasiões, mergulhávamos a sanduíche de bolacha no café com leite.

Era preciso comer depressa, porque a margarina começava a escapar pelos lados.
Ficávamos com os dedos gordurosos, algumas migalhas na camisola e uma satisfação que hoje parece difícil de explicar.
Não era uma sobremesa elaborada.

Era aquilo que havia.
E talvez por isso soubesse tão bem.

🍪 A Bolacha Maria nem sequer nasceu em Portugal

Apesar de estar profundamente ligada às memórias de muitas famílias portuguesas, a Bolacha Maria terá sido criada em Inglaterra, em 1874, para assinalar o casamento da grã-duquesa Maria Alexandrovna com o duque de Edimburgo. Com o tempo, tornou-se especialmente popular em Portugal e passou a fazer parte de sobremesas, pequenos-almoços e lanches familiares.

Com poucos ingredientes e um sabor simples, entrou de tal maneira na nossa cozinha que hoje parece ter existido desde sempre. Também continua associada a doces portugueses como o bolo de bolacha, normalmente preparado com café e creme de manteiga.

Mas, antes dos bolos, havia esta invenção caseira:

bolacha Maria com margarina.

Há relatos de portugueses que ainda hoje associam duas bolachas Maria com manteiga ou margarina às memórias mais fortes dos lanches da infância.

🏡 Não tínhamos muito, mas sabíamos aproveitar

Hoje uma criança entra num supermercado e encontra dezenas de bolachas recheadas.
Chocolate, baunilha, caramelo, morango, creme de avelã e tudo o mais que se possa imaginar.
Nós tínhamos a lata das bolachas Maria e uma embalagem de margarina.
E chegava.

Não estou a dizer que tudo antigamente era melhor. Não era. Havia menos escolha, menos dinheiro e muitas famílias viviam com grandes dificuldades.
Mas existia uma capacidade que se foi perdendo: transformar pouco em suficiente.
Uma bolacha simples tornava-se especial porque alguém a preparava para nós.

O sabor vinha da margarina.
Mas a memória vinha das mãos da nossa mãe ou da nossa avó.

❤️ O verdadeiro recheio era a infância
Hoje posso comprar todas as bolachas que quiser.
Mas nenhuma me devolve completamente aquele momento: a cozinha pequena, o café ao lume, a lata metálica a abrir e duas bolachas Maria a serem apertadas uma contra a outra.
As Oreo podem ter chocolate e creme.

As nossas tinham margarina.
Mas também tinham uma coisa que não se vende:

a lembrança de um tempo em que uma merenda tão simples conseguia fazer uma criança feliz.

👇 Quem também comia duas bolachas Maria com margarina no meio? Punham açúcar ou mergulhavam no café com leite?