Quem ainda se lembra da Cabaça do Vinho? Hoje quase ninguém sabe para que servia…

Quem ainda se lembra da Cabaça do Vinho? Hoje quase ninguém sabe para que servia…

🍷 “Quem ainda se lembra da cabaça do vinho? Hoje quase ninguém sabe para que servia…”

Olho para esta cabaça e parece que ainda vejo o meu pai a sair de madrugada para o campo.
Ia presa à cintura ou pendurada no carro de mão.
As mulheres levavam-na no cesto do jantar – que naquela altura era o almoço – juntamente com o pão, o toucinho, as azeitonas e um naco de queijo.

Não havia garrafas de plástico, nem geleiras.
Havia uma simples cabaça seca, esvaziada e muito bem preparada, que guardava o vinho fresco durante horas.

No verão, quando o sol alentejano queimava a pele e fazia tremer o horizonte, bastava parar um bocadinho à sombra de uma azinheira.
Molhava-se a palavra com um gole de vinho, comia-se uma côdea de pão e voltava-se ao trabalho.

Não era para beber em excesso.
Era para ganhar forças e matar a sede de quem passava o dia inteiro atrás da charrua, da enxada ou da ceifa.
Cada homem tinha a sua cabaça.

Algumas eram pequenas, outras maiores, muitas traziam uma corda de linho ou de esparto para se prenderem à cintura.
Com o tempo iam ficando escuras, brilhantes por fora e cheias de histórias por dentro.

Hoje quase desapareceram.
Ficaram apenas na memória de quem viveu um Alentejo onde nada se desperdiçava e tudo tinha uma utilidade.
As cabaças eram oferecidas, herdadas e até enfeitadas por alguns artesãos.
E quem tinha uma boa cabaça tratava dela como um verdadeiro companheiro de trabalho.
Há objetos que valem muito mais do que parecem.

Porque transportam a memória de um povo inteiro.

❤️ E vocês… ainda têm alguma cabaça antiga guardada em casa? Ou lembram-se de ver os vossos pais ou avós levá-la para o campo? Contem-nos de que terra são! 🍷🌾